Por Jean Bambam
Em um vídeo publicado nas redes sociais, o governador do Amapá, Clécio Luís, cobrou que o ex-prefeito de Macapá e pré-candidato ao governo do estado, Antônio Furlan, se manifeste sobre uma operação da Polícia Federal.
O problema é que, enquanto exige explicações do adversário político, o governador não disse uma única palavra sobre uma série de operações da própria Polícia Federal que atingiram diretamente estruturas e programas ligados ao seu governo.
Entre os casos mais graves está a Operação Zona Cinzenta, deflagrada em fevereiro de 2026. A investigação da Polícia Federal apura aplicações financeiras consideradas de alto risco, estimadas em cerca de R$ 400 milhões, realizadas pela instituição previdenciária dos servidores do estado, a AMPREV, no Banco Master.
Durante a operação, foram cumpridos mandados contra o presidente da instituição, Jocildo Lemos, além de integrantes do comitê de investimentos, suspeitos de envolvimento em possíveis irregularidades na gestão desses recursos.
Assessores do governador do Amapá, Clécio Luís, agrediram o repórter Ryan Araújo durante questionamento sobre os investimentos de R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev) no Banco Master. O caso ocorreu quando o jornalista perguntou sobre o andamento das investigações envolvendo a aplicação dos recursos.
Mas esse não é o único episódio que levanta questionamentos.
Em julho de 2025, outra investigação da Polícia Federal apontou suspeitas de fraudes em licitações de obras públicas no estado, que podem ter movimentado mais de R$ 80 milhões.
As suspeitas não param por aí.
Também vieram à tona operações envolvendo possíveis irregularidades na área da saúde pública estadual, incluindo investigações sobre médicos que recebiam por plantões sem comparecer ao trabalho, situação que ficou conhecida em operações da PF como “Jaleco Fantasma” e Operação Sinecura.
Segundo as investigações, houve casos de profissionais que deveriam estar trabalhando em hospitais de Macapá, como o Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL), mas que teriam sido encontrados em bares ou até andando de jet ski durante o horário de plantão.
Mesmo diante desse cenário, o governador preferiu direcionar seu discurso contra um adversário político, sem mencionar as investigações que atingem áreas da própria administração estadual.
Nos bastidores da política amapaense, a postura já começa a gerar questionamentos.
Afinal, se o assunto é operação da Polícia Federal, muitos se perguntam:
por que o governador cobra explicações dos outros, mas permanece em silêncio sobre os casos que envolvem o seu próprio governo?