Sobe para 65 o número de mortes suspeitas após uso de canetas emagrecedoras, aponta Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que chegou a 65 o número de mortes notificadas como suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Os registros abrangem o período entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025 e fazem parte do sistema de monitoramento de farmacovigilância do órgão.
Em nota, a agência explicou que não investiga óbitos de forma individualizada, mas analisa o conjunto de notificações recebidas para identificar possíveis mudanças no perfil de segurança e eficácia dos medicamentos. Segundo a Anvisa, o aumento das notificações não significa, necessariamente, que os remédios sejam a causa direta das mortes, já que fatores como comorbidades e uso combinado com outras substâncias também são avaliados.
Parte dos casos envolve canetas produzidas por farmácias de manipulação, laboratórios não autorizados ou produtos que entram no país de forma clandestina, muitas vezes sem controle sanitário adequado. A agência reforça que medicamentos contrabandeados representam risco elevado à saúde.
No último dia 9 de fevereiro, a Anvisa publicou um alerta sobre a possibilidade de pancreatite associada ao uso desses medicamentos. A farmacêutica Eli Lilly destacou que a bula do Mounjaro (tirzepatida) já prevê a pancreatite aguda como reação adversa incomum e orienta pacientes a procurar assistência médica imediata diante de sintomas suspeitos.
Já a Novo Nordisk, responsável por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda, informou que os riscos constam nas bulas aprovadas no Brasil, mas que o aumento das notificações no cenário nacional e internacional exige reforço nas orientações de segurança e acompanhamento médico.
Especialistas ressaltam que o uso dessas canetas deve ocorrer apenas com prescrição e supervisão profissional, evitando produtos de origem desconhecida ou adquiridos fora dos canais regulares.