Efeito Master : Davi e Clécio pagaram caro, bancaram o enredo, mas ficaram do lado de fora fazendo trenzinho na Praça da Bandeira, em Macapá.

Após repasse de R$ 10 milhões e tentativa de protagonismo político no desfile sobre Mestre Sacaca, diretoria da verde-e-rosa reage, impõe limites e manda recado direto: “Ninguém é maior que a Mangueira”.


por Jean Bambam

O que era para ser apenas um enredo cultural virou um terremoto político com nome e sobrenome. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o governador do Amapá, Clécio Luís, acabaram barrados pela própria diretoria da Estação Primeira de Mangueira após a repercussão negativa envolvendo o patrocínio de R$ 10 milhões do Governo do Estado para o desfile de 2026.

A escola, que levou  para a avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju — O Guardião da Amazônia Negra”, se viu no centro de uma disputa que misturou dinheiro público, vaidade política e pressão interna de segmentos mangueirenses. A indignação cresceu diante da possibilidade de uma verdadeira “comitiva política” do Amapá ocupar espaços de destaque na Marquês de Sapucaí.

Nos bastidores, integrantes da escola passaram a monitorar a distribuição de credenciais de pista, que teriam sido direcionadas a aliados políticos. O clima azedou de vez quando as novas regras da Liesa que restringem acessos privilegiados entraram no radar e levantaram suspeitas sobre uma tentativa de transformar o desfile em vitrine eleitoral.

Diante da pressão e do risco de desgaste institucional, a diretoria da Mangueira divulgou nota oficial e jogou água fria na tentativa de protagonismo político. O recado foi direto e sem rodeios:

“Isso não significa dizer que estarão à frente da escola. Ninguém é maior que a Estação Primeira de Mangueira.”

A frase caiu como uma luva para o momento. Nos corredores do samba, a leitura foi clara: o dinheiro pode até ajudar a bancar o espetáculo, mas não compra o comando da escola.

A polêmica ganhou ainda mais força após relatos de que a presença massiva de políticos amapaenses poderia “queimar” a imagem da agremiação, gerando uma corrida interna para frear a exposição e preservar a tradição mangueirense.

No fim das contas, a tentativa de transformar a Sapucaí em palanque acabou virando efeito reverso. Pagaram caro, bancaram o enredo, mas ficaram do lado de fora do protagonismo.

E no carnaval assim como na política  nem sempre quem banca a festa é quem conduz o desfile.

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