Turma do atraso dá outro migué: os R$ 550 milhões que sumiram na poeira e lama das rodovias do Amapá

O BURACO É MAIS EMBAIXO: R$ 550 MILHÕES SOMEM E AMAPÁ SEGUE ENGOLINDO POEIRA

Da BR-210 à BR-156, o que une Davi, Waldez, Clécio e Randolfe é o talento para enterrar dinheiro público enquanto o povo atola na lama da corrupção 

Por Jean Bambam

Mais uma vez, a população amapaense amarga o descaso e a falta de compromisso de quem deveria zelar pelo desenvolvimento do estado. O anúncio feito em novembro de 2024 pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, prometendo R$ 550 milhões do Novo PAC para a pavimentação das rodovias BR-210 e BR-156, ligando Laranjal do Jari ao Oiapoque, soou como uma esperança para um povo que há três décadas convive com o caos no transporte. Mas, como num passe de mágica ou de má fé, o dinheiro simplesmente sumiu.

O que vemos, na prática, é a velha política do “teatro”. Enquanto carretas, caminhões e veículos de passeio atolam no inverno e sufocam na poeira do verão, os recursos públicos são desviados para fins que nada acrescentam à infraestrutura local. A mais recente prova desse deboche é a destinação de R$ 10 milhões para a Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, enquanto a conclusão das obras no Amapá segue empacada.

Prefiram pular carnaval a terminar o que é essencial. Prefiram alimentar o samba no Sudeste a dar dignidade ao escoamento da produção e ao direito de ir e vir do cidadão amapaense. É a turma do atraso dando mais um migué.

Por trás desse eterno empurra-empurra estão rostos conhecidos e reeleitos sucessivamente: Davi Alcolumbre, Waldez Góes, Clécio Luís e Randolfe Rodrigues. Nomes que se revezam no poder e nas alianças, mas que se unem num só objetivo: manter o Amapá refém da poeira e do atoleiro, enquanto o dinheiro público encontra outros destinos longe, muito longe das estradas esburacadas do estado.

São 30 anos de promessas, 30 anos de descaso. E o povo que espere. Ou, como parece ser a ordem natural da politicagem local, que atole de novo.

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