R$ 250 milhões no BRB e milhões no Master: decisões da previdência do Amapá entram na mira após suspeita de descumprimento de normas
A crise envolvendo os investimentos da Amapá Previdência (Amprev) ganhou novos capítulos após revelações de que o fundo previdenciário teria descumprido regras ao realizar aportes milionários em instituições financeiras ligadas ao escândalo do Banco Master.
Reportagens nacionais apontam que, após investir cerca de R$ 400 milhões em títulos do Banco Master, a previdência do estado também realizou um aporte de aproximadamente R$ 250 milhões no Banco de Brasília (BRB) por meio do mercado secundário operação que teria ocorrido sem o conhecimento direto da instituição financeira e que levanta questionamentos técnicos e legais.
Investigação, pressão interna e alerta ignorado
As decisões financeiras estão sendo investigadas por órgãos de controle e pela Polícia Federal. Auditorias indicam que alertas técnicos internos sobre os riscos do investimento teriam sido ignorados, enquanto gestores teriam acelerado aprovações em reuniões realizadas em menos de 20 dias.
A suspeita é de que houve pressão interna para viabilizar aportes milionários em letras financeiras do Banco Master — ativos considerados de alto risco e que não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O episódio ganhou ainda mais repercussão após o então presidente da Amprev, Jocildo Lemos, pedir exoneração do cargo em meio às investigações federais, afirmando que a decisão buscava garantir independência às apurações.
Risco para os cofres públicos e aposentadorias
Especialistas alertam que, em casos de prejuízo, a conta pode recair diretamente sobre estados e municípios. Documentos do Ministério da Previdência indicam que os entes federativos são responsáveis por cobrir eventuais rombos nos regimes próprios caso investimentos de risco não sejam recuperados.
O Amapá está entre os maiores investidores em ativos do Banco Master, com cerca de R$ 400 milhões aplicados, o que colocou o fundo previdenciário no centro da crise financeira que atingiu diversas entidades públicas após a liquidação do banco pelo Banco Central.
Operações sob questionamento e silêncio institucional
Enquanto o BRB afirma não ter tido conhecimento direto da operação envolvendo os títulos negociados no mercado secundário, a Amprev ainda não apresentou explicações detalhadas sobre os critérios técnicos utilizados nas aplicações financeiras — o que amplia a pressão política e jurídica sobre a gestão do fundo.
Nos bastidores, o caso já é tratado como um dos episódios mais graves da história recente da previdência estadual, levantando dúvidas sobre governança, transparência e responsabilidade na administração do dinheiro público destinado às aposentadorias dos servidores.