Clécio Luís e a velha culpa jogada no povo: um discurso que o tempo não apagou
Quando ocupou a Prefeitura de Macapá, o hoje governador Clécio Luís adotou uma postura recorrente diante de um dos problemas mais graves da capital: os alagamentos nas áreas de ressaca. Em vez de assumir falhas estruturais, ausência de planejamento urbano e a falta de investimentos consistentes em drenagem, o então prefeito escolheu um caminho mais fácil responsabilizar a própria população.
Ao longo de oito anos, o discurso se repetiu: moradores das áreas mais pobres passaram a ser tratados como culpados pelas enchentes que atingiam suas casas, como se a ocupação dessas regiões fosse resultado exclusivo de escolha individual, e não de abandono histórico do poder público.
Na época, o Portal Amapá trouxe à tona esse padrão de declarações, com uma matéria que expôs falas, entrevistas e posicionamentos públicos do então prefeito, evidenciando como a narrativa oficial transferia a responsabilidade do Estado para quem mais sofria com a ausência dele.
O tempo passou, os cargos mudaram, mas o discurso permanece como um retrato incômodo de uma gestão que preferiu culpar o povo a enfrentar o problema. Alagamentos não são fruto de moradores, mas da falta de políticas públicas sérias, obras estruturantes e respeito às populações que vivem há décadas nas baixadas de Macapá.
Culpar quem mora na ressaca nunca resolveu enchente nenhuma. Planejamento, investimento e responsabilidade, sim.