O governador Clécio Luís desembarcou nesta semana na Assembleia Legislativa do Amapá para abrir oficialmente o ano legislativo em um dos piores momentos políticos de sua gestão. O cenário nos bastidores é descrito por deputados como um misto de frustração, desconfiança e sensação de abandono.
Sem conseguir quitar emendas parlamentares já prometidas, o chefe do Executivo enfrenta um clima pesado dentro da própria base. Segundo informações de bastidores, pelo menos 16 deputados avaliam deixar o bloco governista até julho deste ano, o que pode empurrar o governo para uma situação de isolamento político sem precedentes.
A insatisfação cresce na mesma proporção em que o governador não consegue reagir nas pesquisas de opinião. Enquanto a popularidade patina, parlamentares reclamam que secretários simplesmente não atendem ligações, não recebem deputados e ignoram demandas dos municípios.
Nos corredores da Assembleia, a percepção dominante é de que Clécio só aparece quando precisa de votos para autorizar novos empréstimos. Até agora, já foram aprovadas três operações de crédito que, somadas, ultrapassam a casa dos R$ 2 bilhões.
A pergunta que ecoa entre deputados, lideranças políticas e parte da população é direta: onde está sendo aplicado todo esse dinheiro?
Quais obras estruturantes foram entregues?
Quais políticas públicas de grande impacto justificam esse endividamento bilionário?
Sem respostas claras, o desgaste aumenta.
O governador chega ao Parlamento fragilizado, sem força política, com aparência de quem perdeu o controle da própria base e carrega o peso de uma gestão que promete muito, mas entrega pouco.
Nos bastidores, a avaliação é dura: Clécio virou refém de um modelo de governo que centraliza decisões, fecha portas para o diálogo e transforma a Assembleia em mero cartório de aprovação de empréstimos.
Se nada mudar, a abertura do ano legislativo não será marcada por esperança, mas pelo aprofundamento de uma crise política que ameaça paralisar de vez o governo e empurrar o Amapá para mais um ciclo de instabilidade.
A conta está chegando. E, como sempre, quem pode acabar pagando é o povo.