O que era para ser um grande ato de força virou um constrangedor atestado de fraqueza. Mesmo com mais de dez mil cargos espalhados pela máquina pública, o governo não conseguiu colocar sequer duas mil pessoas em um evento de filiação partidária. O recado é claro: a base murchou, o entusiasmo acabou e a população já não compra mais o discurso.
Escolher a quadra de uma igreja para realizar a filiação de um partido cujos principais líderes nacionais e regionais estão envolvidos em sucessivos escândalos de corrupção não é apenas inadequado é, no mínimo, imoral. Misturar fé com um projeto político desacreditado soa como tentativa desesperada de buscar legitimidade onde ela já não existe.
O clima do evento lembrava mais uma encenação de inauguração da BR-156, aquela que liga o Norte ao Sul do Amapá e nunca termina, do que um verdadeiro ato político. Muita promessa, muito slogan, muita encenação… e zero resultado concreto. Um roteiro velho, repetido, gasto.
Nos bastidores, a filiação é descrita como um festival de bajulação, discursos vazios e promessas recicladas. Pior: relatos apontam pressão direta sobre cargos comissionados e contratados para “marcar presença”, sob pena de retaliações. Não é mobilização popular. É coerção institucional.
Mais grave ainda é o significado político do gesto: trata-se da confirmação pública da traição à esquerda amapaense.
Governador Clécio abandona qualquer resquício de discurso progressista para abraçar um projeto alinhado ao que há de mais fisiológico na política brasileira. Sem pudor. Sem explicação. Sem respeito à própria trajetória.
O governo tenta vender força, mas exibe desespero. Tenta posar de protagonista, mas age como figurante de um projeto que não empolga, não mobiliza e não inspira.
E enquanto o Palácio se afunda em autopromoção e alianças questionáveis, um nome cresce fora desse circuito viciado: Dr. Furlan. Sem máquina estadual, sem chantagem, sem exército de cargos, mas com apoio popular real.
Se mantiver esse rumo, o que se desenha no horizonte não é apenas uma derrota eleitoral. Será uma derrota histórica, acachapante, simbólica.
Todas as forças políticas tradicionais do estado correm sério risco de perder para um único homem.
E não será por acaso. Será por merecimento.