Moradores do Porto do Céu, em Macapá, recebem ordem de despejo com ameaça de demolição em 15 dias

Moradores do Porto do Céu, em Macapá, recebem ordem de despejo com ameaça de demolição em 15 dias

Comunidade ocupa área da União com antiga serraria abandonada e luta por moradia há um ano; decisão judicial dá prazo de 10 a 15 dias para desocupação.

 “Não é fácil sair do aluguel para investir em algo que eu tenho necessidade, e não é fácil trabalhar para construir e ser desfeito assim, sendo tomado injustamente”. O desabafo é de Lívia, moradora do território da União conhecido como Porto do Céu, na zona rural de Macapá, onde dezenas de famílias enfrentam uma iminente remoção forçada. Na última terça-feira (4 de novembro de 2025), uma decisão de mandado de reintegração de posse determinou a desocupação da área, dando um prazo de 10 a 15 dias para que as famílias deixem as próprias casas – sob a ameaça de demolição.

A área em conflito abriga a antiga Serraria de Macapá, que se encontra inativa e com sua estrutura abandonada e degradada. A região, que é de propriedade da União, foi ocupada por moradores que, como Lívia, alegam necessidade de um lugar para morar. “A região do Porto do Céu, onde a serraria está localizada, foi invadida por moradores que necessitam de uma casa, de um lar”, explica ela.

A ocupação precede a transferência da terra da União para o estado. “Antes que a terra da União passasse para o estado, já tinha casa construída, casas sendo construídas, e moradores morando nelas”, relata Lívia. Há aproximadamente um ano, as famílias começaram a construir suas moradias no local, investindo recursos escassos em busca da sonhada estabilidade habitacional.

Agora, a ordem judicial ameaça demolir o fruto desse esforço. “Estamos a um ano lutando, batalhando para levantar uma casa. A justiça chega dando 10 a 15 dias para desocupar uma moradia que lutamos para construir”, desabafa a moradora. A comunidade teme que, caso não cumpram o prazo, as casas sejam derrubadas, jogando-as novamente à insegurança do aluguel ou à situação de desabrigo.

O caso expõe a tensão entre o direito à moradia, a regularização fundiária e a posse de terras públicas. Enquanto o poder judicial determina a reintegração de posse, dezenas de famílias, que veem na área abandonada sua única chance de um lar, clamam por uma solução que leve em conta sua necessidade e o investimento já realizado.

Lívia finaliza com um apelo: “Estou aqui pedindo ajuda”. Um pedido que ecoa por toda a comunidade do Porto do Céu, que agora corre contra o tempo para evitar que seus sonhos sejam demolidos junto com suas casas.

Postagens relacionadas

  Milícia digital : Manchetes idênticas tentam vender condenação contra Furlan e Mário Neto, mas deixam de fora o ponto central do parecer: não há provas.

MP-AP fiscaliza hospitais e cobra cumprimento de decisões judiciais na saúde pública

“Kit miséria”: escola municipal entrega material de limpeza limitado e revolta moradores no Jardim Açucena