Perseguição política: Governador mira delegado após TCO que absolveu prefeito de Macapá
O clima político no Amapá ganhou novos contornos de tensão após a conclusão do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) envolvendo o prefeito de Macapá, Dr. Furlan (MDB), e dois jornalistas que o acusaram de agressão. O delegado responsável pelo caso concluiu que o chefe do Executivo Municipal agiu em legítima defesa de terceiro, isentando-o de indiciamento criminal.
A decisão técnica, baseada em depoimentos e provas colhidas, desagradou o governador do Estado, Clécio Luís (SD), que tem Furlan como seu maior adversário político no cenário atual. Nos bastidores, circula a informação de que o delegado estaria sofrendo forte pressão política e pode ser removido para um município distante do interior, em uma clara tentativa de retaliação por não ter atendido aos interesses do Palácio do Setentrião.
O movimento de perseguição ganhou ainda mais força com a iniciativa do jornalista Heverson Castro, aliado político do governador, que protocolou uma ocorrência na Corregedoria da Polícia Civil contra o delegado, em mais uma tentativa de intimidá-lo e desgastar sua atuação funcional.
A medida é vista por juristas e lideranças locais como uma forma de censura e perseguição política, já que o delegado apenas cumpriu seu papel constitucional de conduzir a investigação com imparcialidade e fundamentar sua decisão nos autos.
Para aliados do prefeito, a atitude do governo estadual revela uma prática antidemocrática e um ataque direto à autonomia da polícia civil, que deveria atuar livre de interferências políticas.
A possível transferência forçada do delegado, somada à ofensiva de aliados governistas, levanta preocupações sobre o uso da máquina estatal para perseguir servidores que não se alinham aos interesses do poder político de ocasião.