Bolsonaro acusa Carla Zambelli de ter “tirado seu mandato” em 2022; declaração reacende crise na direita

Bolsonaro acusa Carla Zambelli de ter “tirado seu mandato” em 2022; declaração reacende crise na direita

Brasília, 26 de março de 2025 – Em mais um capítulo da crise entre antigos aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disparou contra a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), acusando-a de ter contribuído para a perda de seu mandato em 2022. A declaração, feita durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais, reacendeu as tensões no campo bolsonarista e levantou questionamentos sobre eventuais divergências estratégicas no período pós-eleição.

“Ela tirou meu mandato”
Sem citar detalhes, Bolsonaro afirmou: “A Zambelli, naquela época, tirou meu mandato. Todo mundo sabe o que aconteceu.” A fala, vaga, foi interpretada por aliados como uma possível referência a atitudes da deputada durante os protestos golpistas que se intensificaram após a derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Zambelli, uma das figuras mais radicais do bolsonarismo, foi protagonista de polêmicas em 2022, incluindo um vídeo em que apareceu armada perseguindo um suposto opositor em São Paulo. Ela também esteve envolvida nos atos pró-intervenção militar que precederam os ataques de 8 de janeiro.

Reação de Zambelli
Até o fechamento desta edição, a deputada não havia se manifestado publicamente sobre as acusações. Entretanto, fontes próximas a ela afirmam que a declaração de Bolsonaro foi “injusta” e que Zambelli sempre agiu “pela defesa do presidente”.

Crise no bolsonarismo
A troca de farpas expõe a fragmentação no núcleo duro do bolsonarismo, que enfrenta desafios desde a condenação de diversos líderes pelo STF nos casos relacionados ao 8 de janeiro. Enquanto Bolsonaro tenta se distanciar de ações mais radicais para evitar novos processos, figuras como Zambelli mantêm o discurso inflamado, o que pode ter gerado atritos.

Especialistas veem tentativa de reposicionamento
Para analistas políticos, a declaração de Bolsonaro pode ser uma estratégia para isolar setores mais extremistas de sua base, buscando reduzir sua exposição judicial. “Ele tenta se descolar dos radicais, mas sem perder o apoio da militância. É um equilíbrio difícil”, avalia o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB).

Enquanto isso, o PL (partido de Bolsonaro) enfrenta pressão interna, com alas divergentes sobre como reagir às investigações em curso. O desgaste público entre duas das principais lideranças do movimento pode acelerar essa divisão.

Postagens relacionadas

Prefeitura de Macapá entrega o CEIEF Açaituba, nova escola com capacidade para 580 alunos

Prêmio Macapá do Esporte 2024: Conheça os grandes nomes que brilharam no cenário esportivo

A Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) seguem monitorando possíveis rotas de fuga que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode escolher para escapar da cadeia